Busque-se-me
29 07 2011Me traga…
Não me tome!
Me dê…
Sou metade inteira de uma inteira metade,
a outra é você!
Busque-me-se…
Busque-se-me…
Completude passageira!
A verdade é verdade,
Flanante e traiçoeira!
Quem muito se prende a uma ideia só,
em cada ponto, não sabe dar nó!
Siga, me seguindo, sem seguir-me o caminho
Ofereça-me sua ida, sua fé, seu ninho!
Minha estrada é também a sua
Minha vida ofereço-lhe, inteira, nua!
Cor, sabor, desespero, amor!
Porque par é par
e a diferença não é ímpar!
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O que acontece
29 07 2011O que acontece
Padece
Carece
Adoece
Não se esquece
O que não acontece
Peleja
Fraqueja
Só uma cereja na bandeja
Aconteça ou esqueça
Fascínio?
Domínio?
Homem ou menino?
É tempo!
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Xadrez enviesado
28 06 2010O padrão é violento.
Afirma e nega
sem propósito.
Fecha as searas do mistério.
Inibe a compreensão.
Não tem teor compósito!
O padrão sela,
cala,
mata,
corta
e suprime.
Não permite depósito!
Sentidos são composições flanantes…
Padrões são destoantes!
Classificações descabidas!
Dor,
sofrimento
e feridas!
Não classifique,
não diminua!
Perceba a potência
da existência,
em suas possibilidades!
O padrão é singular.
A vida é plural!
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Entre esquecer e lembrar: caminhos
26 05 2010
É preciso esquecer…
que é pra frente que se anda!
Quem segue apenas um caminho,
se perde, desanda!
Ande para frente…
mas volte, também,
para trás
passe pelos lados, voltas e revoltas
cansaço, mas um desejo que apraz!
Correr, parar…
para lembrar do poeta
que diz:
O caminho se faz ao caminhar!
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Minha face: transmutens
21 02 2010Hoje revi uma foto
Anterior a esse fervilhar
Meu semblante, confesso
Já não é mais igual.
A menina dos meus olhos
agora é um condor
Foi ele quem me disse:
dimensão política e ética
veja o que está por trás, por favor!
Meu nariz,
com olfato mais aguçado
fareja, reconhece…
Sente nas leituras,
O cheiro do que acontece.
Ah! Minhas orelhas,
inclinadas, mas serenas
atentas a escutar,
Foram elas que me disseram:
aqui não dá só para falar!
A boca,
essa desconheço
Quase gesticula sem parar
torce, contorce, fala
tem vida própria
diria que aprendeu a pensar
e por isso,
já sabe também calar!
Mas a pele
esse órgão tão complexo
Envolvente
agora desconexo
A pele, meus caros, refez-se
colidiu em nova roupagem
e para minha felicidade
se misturou
está se misturando,
contínua e lentamente
Sempre uma nova face
dúbia, contraditória,
de gente-aprendente!
Click!
Não!
Apenas uma fotografia, não!
Em apenas uma não se percebe,
O movimento da mutação
Tire várias
Monte um álbum
Folheie as páginas
E veja a cada momento uma face outra
Transmutens…
De mim, que não sou,
a cada momento,
mais eu!
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Pela vida…
24 12 2009Da individualidade à subjetividade
Da inveja à admiração
Da coletividade à comunidade
Dos trechos à colaboração
Da tolerância ao respeito
Da explicação à compreensão
Da generalidade à universalidade
Do apoio à parceria
Da solidão à comunhão
Do diferente ao plural
Da sobrevivência à existência
Das convenções ao momento
Do padrão ao multiverso
Do premetidato ao espontâneo
Da apatia à iniciativa
Do medo à vontade
Do descaso ao cuidado
Do apego à partilha
Do pouco com muito ao muito com pouco
Do conjunto à interseção
Da segregação à mistura
Do uno ao múltiplo
Da palavra ao diálogo
Do montar ao criar
Do fazer ao descobrir
Do determinado ao devir
Do estar ao ser
Da verdade à possibilidade
Da ideia à ação
Dos fins aos começos
Das finalidades às experiências
Da inércia à continuidade
Da força à palavra
Do sim e do não à abertura
Do tempo aos momentos
Do destino ao acaso
Do vazio ao desejo
Do desejo aos aconteceres
Do meu ao nosso
Do eu ao você
De mim a ti
De nós a todos
…
Reflexões de um tempo contado como fim e de outro contado como começo… de vida que acontece!
São desejos comungados…
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