Hoje revi uma foto
Anterior a esse fervilhar
Meu semblante, confesso
Já não é mais igual.
A menina dos meus olhos
agora é um condor
Foi ele quem me disse:
dimensão política e ética
veja o que está por trás, por favor!
Meu nariz,
com olfato mais aguçado
fareja, reconhece…
Sente nas leituras,
O cheiro do que acontece.
Ah! Minhas orelhas,
inclinadas, mas serenas
atentas a escutar,
Foram elas que me disseram:
aqui não dá só para falar!
A boca,
essa desconheço
Quase gesticula sem parar
torce, contorce, fala
tem vida própria
diria que aprendeu a pensar
e por isso,
já sabe também calar!
Mas a pele
esse órgão tão complexo
Envolvente
agora desconexo
A pele, meus caros, refez-se
colidiu em nova roupagem
e para minha felicidade
se misturou
está se misturando,
contínua e lentamente
Sempre uma nova face
dúbia, contraditória,
de gente-aprendente!
Click!
Não!
Apenas uma fotografia, não!
Em apenas uma não se percebe,
O movimento da mutação
Tire várias
Monte um álbum
Folheie as páginas
E veja a cada momento uma face outra
Transmutens…
De mim, que não sou,
a cada momento,
mais eu!
